Comissão Europeia lança chamadas de 2021 do programa de financiamento Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA)

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O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), parceiro institucional da Comissão Europeia, torna público as oportunidades para instituições e pesquisadores brasileiros participarem das chamadas MSCA 2021 (Marie Skłodowska-Curie Actions), que integram o programa-quadro europeu de Pesquisa & Inovação Horizon Europe (2021-2027). 

Na terça-feira (22/6), a Comissão Europeia disponibilizou duas chamadas públicas MSCA com orçamento total de 644.95 milhões de euros: MSCA Doctoral Networks e MSCA Postdoctoral Fellowships

Chamada MSCA Doctoral Networks (DN) 2021

Tem por objetivo implementar programas de doutorado através de parcerias com organizações de diferentes setores em toda a Europa e internacionais para formar doutores altamente qualificados, estimular a criatividade, aumentar a capacidade de inovação e impulsionar a empregabilidade a longo prazo dos pesquisadores.

A chamada é aberta a consórcios internacionais de universidades, instituições de pesquisa, empresas, pequenas e médias empresas (PMEs) e outras organizações não acadêmicas. O orçamento total estimado para esta chamada é de 402.95 milhões de euros. Entidades brasileiras não recebem fomento do programa, mas estão aptas a participarem da chamada. As regras de participação e elegibilidade das organizações interessadas podem ser consultadas na chamada, no link

Chamada MSCA Postdoctoral Fellowships (PF) 2021  

O programa de bolsas de pós-doutorado MSCA destina-se a pesquisadores doutores que pretendem desenvolver as suas atividades de pesquisa, adquirir novas competências e desenvolver a carreira, por meio de projetos de mobilidade internacionais, intersetoriais e interdisciplinares. As bolsas MSCA são abertas a pesquisadores de todas as nacionalidades. Pesquisadores brasileiros são elegíveis para receberem fomento do programa.

Para a modalidade “European Fellowships”, pesquisadores brasileiros interessados podem apresentar uma candidatura juntamente com uma organização de acolhimento, que pode ser uma universidade, instituição de pesquisa, empresa, pequena e média empresa (PME) ou outra organização com sede em um País-Membro da União Europeia ou nos países associados ao programa Horizon Europe. 

Para a modalidade “Global Fellowships”, instituições brasileiras (acadêmicas ou não-acadêmicas), podem receber pesquisadores que atuam em Países-Membros da União Europeia ou associados ao Horizon Europe

Todas as disciplinas são elegíveis para o financiamento de bolsas de pós-doutorado.

O orçamento total para esta chamada é de 242 milhões de euros. O prazo para submissão de propostas é até 12 de outubro de 2021. Saiba mais sobre a chamada no link

Sobre a Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA)

As ações MSCA integram o Horizon Europe (2021-2027). É o principal programa de financiamento da União Europeia para a educação de doutorado e o treinamento de pós-doutorado de pesquisadores. A MSCA financia a Pesquisa & Inovação de excelência e contribui com os pesquisadores em todas as fases da carreira com novos conhecimentos e competências, através do financiamento da mobilidade transfronteira e da exposição a diferentes setores e disciplinas. A MSCA também financia o desenvolvimento de programas de treinamento de doutorado e pós-doutorado e projetos de pesquisa colaborativa em todo o mundo. 

Além das duas chamadas lançadas em junho, a Comissão Europeia pretende lançar outras duas novas chamadas MSCA em outubro de 2021 (MSCA Staff Exchanges e MSCA COFUND). 

  • Para mais informações sobre o conjunto de chamadas MSCA 2021, clique aqui
  • Ponto Nacional de Contato da MSCA no Brasil para mais informações e esclarecimentos de dúvidas sobre as chamadas lançadas em 2021: elisa.confap@gmail.com

Fonte: Assessoria de Comunicação – CONFAP

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Inscrições para I Prêmio FAPEPI de Jornalismo Científico são prorrogadas até setembro

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A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), publicou nesta quinta-feira (24), novo cronograma para o Edital 004/2021 – I Prêmio FAPEPI de Jornalismo Científico – 2021, no âmbito do Programa de Divulgação e Popularização da Ciência – SAPIÊNCIA. O novo cronograma busca garantir mais propostas inscritas neste edital. Além de garantir também que a premiação ocorra como parte das atividades da 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. 

A iniciativa tem por objetivo convidar jornalistas e estudantes de jornalismo do Piauí a apresentarem propostas nas categorias do prêmio, contribuindo para divulgação e popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Estado. O I Prêmio FAPEPI de Jornalismo Científico – 2021 vai conceder apoio financeiro para as melhores matérias jornalísticas nas diferentes categorias de Jornalismo Científico, em temáticas relevantes contextualizadas sobre a CT&I, publicadas no estado.

O edital tem valor total de R$ 12 mil em recursos oriundos do Tesouro do Governo do Piauí, referentes à ação orçamentária “Auxílios Financeiros a Eventos, Divulgação e Publicação Científica, Tecnológica e de Inovação”. Serão destinados R$ 10 mil referentes ao pagamento de premiações e R$ 2 mil para confecção de honrarias aos premiados. O prêmio tem como objetivo estimular e valorizar a publicação de matérias de CT&I veiculadas em diferentes meios de comunicação e relacionadas a temas estratégicos no Piauí. Denomina-se jornalismo científico a especialização da profissão jornalística nos fatos relativos à Ciência, Tecnologia e Inovação.

Jornalismo científico

O jornalismo científico é próximo da divulgação científica, porém distinto na medida em que não apenas informa o público sobre ciência, mas faz reflexões e discussões atualizadas sobre CT&I e sua relação com a sociedade. 

Alunos de graduação e jornalistas profissionais, são o público-alvo. Podem concorrer a este edital matérias jornalísticas sobre temas relevantes relacionados à CT&I de autoria de profissionais de comunicação social – com habilitação em jornalismo. Para o público-alvo Profissional, as matérias devem ter sido publicadas nos veículos institucionais ou comerciais com sede no Piauí. Já na categoria Estudante, concorrem matérias jornalísticas sobre temas relevantes relacionados à CT&I de autoria de estudantes dos cursos de comunicação social – com habilitação em jornalismo – e publicados nos veículos experimentais vinculados às instituições de ensino superior do Estado do Piauí. Serão aceitas propostas que concorrem entre si nas seguintes categorias: Impresso (jornal laboratório); TV Universitária; Internet; e Rádio. 

Categorias 

As quatro categorias do I Prêmio FAPEPI de Jornalismo Científico – 2021 são: Impresso, TV, Internet e Rádio. Quanto à categoria Impresso, concorrem nesta categoria matérias jornalísticas veiculadas em jornais ou revistas impressas, sobre temas relevantes relacionados à CT&I. Não serão aceitos textos opinativos, tais como: editorial, comentário, artigo, resenha, crítica, coluna e crônica. Em relação à TV, concorrem nesta categoria matérias jornalísticas veiculadas em emissoras de televisão de sinal aberto ou por assinatura. Na categoria TV, estão inclusas as matérias disponíveis na web, sobre temas relevantes relacionados à CT&I. Não serão aceitos videodocumentários. Internet: concorrem nesta categoria matérias jornalísticas eletrônicas veiculadas em portais na internet (blogs ou sites), sobre temas relevantes já citados acima. Rádio: concorrem nesta categoria matérias jornalísticas veiculadas em rádios convencionais ou transmitidas via internet. O público-alvo Profissional receberá premiação para as quatro categorias. 

Serão três premiados por categoria entre os jornalistas profissionais,  totalizando 12 premiações. O público-alvo estudante receberá uma premiação total de três premiações,  pois todas as categorias concorrem entre si: Impresso, TV, Internet e Rádio. 

O prazo para submissão de propostas no Sigfapepi foi prorrogado com início nesta quinta-feira (24) e  se estenderá até o dia 24 de setembro. Resultado final A divulgação do resultado final ocorrerá a partir de 15 de outubro de 2021. A entrega das premiações ocorrerá durante a 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. 

Toda e qualquer comunicação com a FAPEPI (dúvidas, suporte técnico para Sigfapepi, por exemplo) deverá ser feita pelo e-mail fapepi@fapepi.pi.gov.br. 

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CNPq lança a chamada – Bolsas de Produtividade em Pesquisa

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O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq torna pública a chamada CNPq Nº 04/2021 – Bolsas de Produtividade em Pesquisa e convida os interessados a apresentarem propostas de pesquisa para serem concedidas de bolsas do CNPq da modalidade Produtividade em Pesquisa (PQ).

A chamada vem com o objetivo de valorizar pesquisadores que possuam produção científica, tecnológica e de inovação de destaque em suas respectivas áreas do conhecimento; incentivar o aumento da produção científica, tecnológica e de inovação de qualidade e selecionar projetos de pesquisa que sejam propostos considerando o rigor e o método científico, bem como outros conceitos fundamentais para a produção do conhecimento científico.

Os proponentes deverão obrigatoriamente ter currículo cadastrado na Plataforma Lattes, atualizado até a data limite para submissão das propostas, possuir o título de Doutor ou de livre-docente, ter CPF regular, não possuir bolsa da modalidade Produtividade em Pesquisa (PQ) ou na modalidade Bolsa de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) em curso com vigência que ultrapasse o ano de 2022 e ter vínculo formal com a instituição de execução do projeto. Serão duas categorias da bolsa: para estar apto a receber Bolsa de Produtividade em Pesquisa na Categoria 2, é necessário ter obtido título de doutor ou livre docente até o ano de 2018; para a Bolsa de Produtividade em Pesquisa na Categoria 1, ter obtido título de doutor ou livre docente até o ano de 2013.

Em caso de ausência de vínculo formal entre pesquisador e instituição, o vínculo deverá estar caracterizado por meio de documento oficial que comprove haver concordância entre o proponente e a instituição de execução do projeto para o desenvolvimento da atividade de pesquisa e/ou ensino, documento este que deverá ficar em poder do proponente, não sendo necessária a remessa ao CNPq. A instituição de execução do projeto deverá estar cadastrada no Diretório de Instituições do CNPq, devendo ser órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta ou pessoa jurídica de direito privado legalmente constituída sob as leis brasileiras, com sede e foro no País, que inclua em sua missão institucional ou em seu objetivo social ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico ou o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos.

As propostas deverão ser encaminhadas ao CNPq exclusivamente via Internet, utilizando-se o Formulário de Propostas online disponível na Plataforma Integrada Carlos Chagas

Esclarecimentos e informações adicionais acerca desta chamada poderão ser obtidos pelo endereço eletrônico atendimento@cnpq.br ou pelo telefone (61) 3211-4000, até as 18:30 de dias úteis.

As propostas poderão ser enviadas a partir do dia 30 de junho de 2021. O horário limite para submissão das propostas ao CNPq será até às 23h59, horário de Brasília, do dia 16 de agosto de 2021. A divulgação do resultado preliminar do julgamento no Diário Oficial da União e na página do CNPq na internet será no dia 8 de dezembro de 2021, a decisão final será divulgada nos mesmos veículos no dia 9 de fevereiro de 2022. A vigência das bolsas concedidas nesta Chamada inicia em 1 de março de 2022.

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RNP lança chamada pública para Programa de GTs de 2022

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Nesta quarta-feira (9) a RNP lançou a sua chamada pública para o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Grupos de Trabalho de 2022, pela qual serão desenvolvidos novos produtos e serviços. Pesquisadores de instituições públicas e privadas poderão enviar suas propostas até o dia 30 de julho. Os resultados dessa chamada pública serão divulgados no dia 18 de outubro, com o anúncio dos novos Grupos de Trabalho selecionados.

Este ano, o edital convida a comunidade científica e também startups interessadas em empreender em parceria com a RNP, para a criação de um Produto Minimamente Viável (do inglês MVP) como principal resultado do projeto de PD&I. Este MVP deve ser obrigatoriamente desenvolvido para a criação de um novo produto ou serviço que possa beneficiar o Sistema RNP.

Os projetos serão desenvolvidos ao longo de 2022 e terão duração de 12 meses. Ao longo do período, a RNP irá apoiar na adoção de ferramentas e técnicas na modelagem do negócio.

A lista não exaustiva de tópicos de interesse da RNP na chamada pública inclui Inteligência Artificial, Big Data, Blockchain, Internet das Coisas (IoT), Gestão de Identidade, Educação a Distância, Telessaúde, Trabalho colaborativo, e Cibersegurança.

Sobre o Programa de PD&I da RNP

Desde 2002, a RNP vem aprimorando sua gestão de programas de PD&I, realizados por meio de um processo de inovação aberta. Os resultados alcançados ao longo desses anos são fruto da importante parceria da RNP com a comunidade científica e acadêmica, com quem a RNP explora a vanguarda das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

Fonte: RNP

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Instituição Internacional lança Prêmio para eliminação de doenças

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O Instituto Global para Eliminação de Doenças (GLIDE, na sigla em inglês), lança o “Prêmio Falcon para Eliminação de Doenças” para ajudar a promover a eliminação da malária, poliomielite, filariose linfática e oncocercose. Serão oferecidas cinco bolsas de até US$200,000 para cada organização baseada em países endêmicos.

O objetivo é contemplar projetos que demonstrem um alto potencial para expandir e amplificar soluções eficazes na eliminação de doenças e criar um impacto de longo prazo em torno das doenças apontadas.

A submissão deve ser feita por uma organização ou entidade organizada de países nos quais as doenças são endêmicas. São elegíveis:

  • Instituições do setor público ou privado
  • Organizações não governamentais, fundações filantrópicas e coalizões ou redes de organizações da sociedade civil
  • Parcerias Público-Privadas
  • Instituições acadêmicas ou de pesquisa nacionais ou regionais
  • Outras partes interessadas com forte experiência comprovada em pelo menos uma das áreas de doença definidas

Cada instituição pode apresentar mais de um projeto. O prazo de submissão é 13 de junho.

Para mais informações, acesse o site da GLIDE:  https://glideae.org/awards ou envie dúvidas para o e-mail FalconAwards@glideae.org

Fonte: CNPq

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Ciência amplia métodos de diagnóstico do Glaucoma

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Pesquisas publicadas com o apoio da FAPEPI garantem novas possibilidades de diagnóstico da doença no futuro

O glaucoma é uma doença ocular cujo nome é um guarda-chuva para algumas variações desta doença que afeta aproximadamente 80 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A enfermidade é causada pelo aumento da pressão intraocular, que acaba lesionando o nervo óptico. Em 80% dos casos, se não for tratado, pode evoluir para perda total da visão. É mais comum sob a forma do glaucoma primário de ângulo aberto, correspondendo a 90% dos casos, mas também pode surgir o glaucoma do tipo de ângulo fechado, congênito ou secundário. Não possui cura, mas pode ter seus efeitos controlados, principalmente se o diagnóstico for feito com antecedência. Trata-se de uma doença perigosa, pois atua de forma progressiva, prejudicando lentamente a visão. Em muitos casos a pessoa que o possui não percebe os sintomas até que se tornem mais graves, caso a doença não for tratada, o campo visual se estreita cada vez mais, obscurecendo primeiro a visão periférica, depois a visão central e finalmente progredindo à cegueira permanente do olho afetado. É necessário manter sempre em dia exames de rotina, principalmente quando se enquadra em fatores de risco, como ter casos da doença na família, ter diabetes, problemas cardíacos ou pressão alta, por exemplo.

Por ser uma doença silenciosa e progressiva, necessita de atenção redobrada. Estima-se que um milhão de pessoas sofram de algum tipo de glaucoma no Brasil, porém, de acordo com a pesquisa “Um olhar para o glaucoma no Brasil”, produzido pelo Ibope Inteligência, avaliou o nível de conhecimento sobre a doença com internautas de 7 estados. Constatou-se que o índice de desconhecimento chega a 53% entre jovens com idade entre 18 a 24 anos e a 71% entre adultos com 55 anos ou mais. A proporção de entrevistados que informaram nunca ter ido a uma consulta com um médico oftalmologista é de 10%, e 25% disseram que vão somente quando sentem incômodo nos olhos. No grupo de pessoas mais jovens, os números continuam preocupantes: 21% relataram nunca ter ido a uma consulta e 10% foram uma única vez na vida. 

A situação se torna ainda mais preocupante ao se levar em conta que com a chegada da pandemia da covid-19, o medo das pessoas de contraírem a nova doença fez com que exames periódicos como a consulta ao oftalmologista reduzissem significativamente. Um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostrou que, na pandemia, o total de exames de diagnóstico de glaucoma caiu 30%. O impacto também foi observado na realização de cirurgias para reverter e tratar a doença: pelo menos 6.700 deixaram de ser realizadas em 2020, aponta a pesquisa. O levantamento mostra que em oito estados, a redução foi superior a 50%, o Piauí foi o estado que mais teve redução, junto com o Amazonas, em torno de 67%.

O fato do glaucoma ser uma doença que evolui sutilmente, afetar muitas pessoas ao mesmo tempo em que a população ainda não atingiu nível satisfatório de conhecimento à respeito sobre de maneira geral, se torna urgente que esse conhecimento quanto à prevenção possa chegar a cada vez mais pessoas, não menos importante é o desenvolvimento de métodos mais acessíveis e eficientes de diagnose e tratamento. Nesse sentido, duas pesquisas científicas relacionadas a essa doença foram publicadas recentemente graças ao auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí (FAPEPI), através do Edital 003/2020 – Auxílio à Publicação.

A pesquisa “Avaliação de mapas de textura como entrada para extrair atributos profundos no diagnóstico de glaucoma” foi desenvolvida pelo professor do curso de Sistemas de Informação da UFPI-Picos Romuere Rodrigues em parceria com o aluno de ICV Daniel Veloso. Com o objetivo de  ajudar a identificar a doença nos seus estágios iniciais, foi desenvolvida uma proposta de método de identificação do glaucoma, utilizando descritores de textura combinados a Redes Neurais Convolucionais. As Redes Neurais Convolucionais são métodos computacionais utilizados por profissionais de várias áreas, que se baseiam no funcionamento em rede do cérebro humano para poder extrair informações e reconhecer padrões em imagens. De forma simples, esses métodos aprendem a classificar a partir de dados previamente diagnosticados por especialistas. Após a fase de aprendizado da rede artificial, essas redes são capazes de classificar novas imagens. Já os Mapas de Textura são métodos capazes de melhorar a representação das imagens, com isso características importantes das imagens podem ser melhoradas e utilizadas nas Redes Neurais Convolucionais.

O professor Romuere conta que um método comum utilizado para diagnosticar o glaucoma consiste em analisar uma imagem do fundo do olho obtida por uma retinografia, isso é feito a partir da delimitação da região do disco óptico (DO). Essa proposta visa auxiliar o estado da arte da medicina oftalmológica ao avaliar se outro tipo de entrada em redes neurais melhoram os resultados quando comparados com a imagem original. A textura de imagens de pacientes com glaucoma possui um padrão diferente quando comparadas com imagens de pacientes saudáveis. Com isso, foram aplicados métodos para computar diferentes mapas de textura com o objetivo de melhorar os resultados obtidos em imagens sem esse tipo de processamento. Os resultados obtidos com o método desenvolvido, vão ajudar os especialistas no diagnóstico, oferecendo uma segunda opinião.

“O método utilizado consiste na utilização de mapas de textura como nova entrada para as redes neurais convolucionais. Uma imagem colorida possui 3 canais, R-G-B. Sabendo disso, utilizamos diferentes descritores de textura nas imagens, e essas novas imagens criadas a partir do descritor, foram utilizadas substituindo os valores de cada canal. para cada canal aplicamos uma imagem com um descritor diferente. Resumindo, nosso método de pré-processamento antes do treinamento nas redes, consistiu na reconstrução de uma imagem, alterando os canais por imagens com descritores, permanecendo uma imagem em tons de cinza na reconstrução de cada imagem. Depois da reconstrução das imagens, utilizamos 3 tipos de redes neurais convolucionais, pré-treinadas, para o treinamento do conjunto de dados, gerando pesos, para por fim podermos classificar as imagens.” conta o aluno de ICV e participante do projeto, Daniel Veloso da Silva.

Os pesquisadores contam que apesar dos resultados promissores desta pesquisa, ainda não há uma previsão para a adoção da contribuição nos exames para a população. “Para uma aplicação real desse projeto, seria necessário o acompanhamento de perto por especialistas da área, o que infelizmente ainda não ocorreu”, finaliza o estudante.

Já a pesquisa “Identificação de Glaucoma em imagens da retina baseadas em Capsule Network (CapsNet)” vem neste mesmo sentido de trazer mais um auxílio no diagnóstico da doença com o auxílio das redes neurais, desenvolvido com a coordenação do professor Antônio Oseas de Carvalho Filho da UFPI-Picos em parceria com os professores Flávio Henrique de Araújo, do mesmo campus, Ricardo Rabêlo, da UFPI-Teresina, os alunos de iniciação científica Patrick Ryan dos Santos e Vitória Brito, além do colaborador externo Mano Joseph da École d’ingénieur généraliste en informatique et technologies du numérique de Paris, França.

A CapsNet é um sistema de aprendizado de máquinas que atua nas redes neurais para melhorar a eficiência do sistema, adicionando “cápsulas” que reutilizam as saídas de informação de várias dessas cápsulas primárias para formar representações mais estáveis para cápsulas superiores. Para atingir esse objetivo a metodologia é baseada em técnicas de processamento computacional de imagens, mais especificamente, em técnicas de deep learning. Em ciências da computação, deep learning é um campo de estudos em inteligência artificial que busca aprimorar o funcionamento de redes neurais artificiais com aprendizado representativo, que por sua vez, são técnicas desenvolvidas para permitir que um sistema detecte de forma automatizada certos padrões em dados brutos, facilitando o trabalho manual do pesquisador.

A aluna do ICV participante da pesquisa Vitória Brito conta que os especialistas normalmente optam por análise de imagem por serem mais precisos, como a tomografia de coerência óptica, tomografia de Heidelberg e retinografia, porém o processo de análise do especialista demanda tempo, pois é preciso analisar vários exames para maior precisão, o que também pode ocorrer é que diferentes especialistas podem ter diferentes interpretações. É nesse contexto que os métodos computacionais entram, contribuindo para um diagnóstico mais rápido e otimizado.

“Os resultados foram bem promissores, conseguimos taxas de acerto acima dos 90% para o diagnóstico do glaucoma, isso significa que para cada 10 imagens analisadas, o nosso método seria capaz de afirmar que em cada 9 imagens de 10 teriam ou não glaucoma com precisão. O nosso intuito é sempre auxiliar o médico, além dessa técnica oferecer mais segurança trazendo uma segunda opinião, serve como uma espécie de triagem. Por exemplo, podemos passar um conjunto de imagens para o sistema analisar e aquelas imagens que o sistema apontar como suspeito de glaucoma, o médico poderá olhar com mais calma.” afirma o professor Antônio Oseas de Carvalho.

Os métodos computacionais e a inteligência artificial são um trunfo do nosso tempo, o que permitem que os diagnósticos para essa doença, que é a segunda maior causadora de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata, possa ter um diagnóstico mais rápido e preciso, contribuindo para a preservação da saúde dos olhos das pessoas e promovendo qualidade de vida. Pesquisas como essas, que dialogam com as necessidades imediatas da população são muito importantes para mostrar como o investimento público em pesquisa e desenvolvimento (P&D) são indispensáveis, atuando em última análise como um auto-investimento.

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