O ecossistema de pesquisa e inovação no Piauí ganhou um reforço significativo para a democratização do conhecimento. Durante a abertura da XIII Semana de Letras da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), que celebra os 40 anos do curso de Letras Português no Campus Poeta Torquato Neto, foi lançada a expansão da plataforma WebLeia. O projeto, que visa mitigar as dificuldades de estudantes na produção de textos científicos, contou com aporte estratégico e financeiro do governo estadual.
A ampliação da ferramenta recebeu um investimento de R$ 30 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), viabilizado por meio do Programa de Apoio a Projetos de Extensão (PAPE). O apoio financeiro foi fundamental para que o software, criado originalmente em junho de 2025, pudesse dar um salto em seu escopo de atuação.
Representando a fundação no evento realizado no Auditório Pirajá, o Assessor técnico da FAPEPI, Ciro Sá, destacou a importância de fomentar iniciativas que unam tecnologia e permanência estudantil. O investimento reflete uma política de fortalecimento das bases da pesquisa científica desde a graduação, fornecendo autonomia aos novos pesquisadores do estado.

Originalmente concebida a partir de ações articuladas de ensino, pesquisa e extensão, a WebLeia nasceu focada na orientação de gêneros textuais básicos, como resumos e resenhas. Com o novo aporte e desenvolvimento, a plataforma agora passa a guiar os usuários na elaboração de estruturas mais complexas e exigidas na vida acadêmica: projetos de pesquisa e artigos científicos.
Embora tenha sido gestada no ecossistema de Letras e Linguística da UESPI, a ferramenta possui caráter universal. Por trabalhar com a estrutura de gêneros científicos transversais, ela pode ser utilizada por estudantes e pesquisadores de qualquer área do conhecimento, da saúde às engenharias.
A professora Bárbara Melo, coordenadora do Laboratório LEIA e uma das mentes por trás do projeto, celebrou o avanço e a robustez da tecnologia local.
“É um software genuinamente uespiano, criado por professores da UESPI, gratuito e com registro no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). Antes, a plataforma orientava a escrita de resumo e resenha. Agora, também passa a auxiliar na elaboração de projetos de pesquisa e artigos científicos”, enfatizou a coordenadora.
Letramento e Autonomia no Ensino Superior
A escrita acadêmica é historicamente apontada por docentes como um dos principais gargalos na transição dos estudantes do ensino médio para o superior. A falta de familiaridade com as normas rígidas da produção científica muitas vezes se torna uma barreira para a publicação de artigos e a inserção em programas de iniciação científica.
Segundo Ciro Sá, o investimento nesta iniciativa reforça a missão da Fundação de incentivar projetos que promovam impacto social, educacional e científico.
“A FAPEPI compreende que investir em ciência, educação e inovação também significa fortalecer ferramentas capazes de democratizar o acesso ao conhecimento e qualificar a produção acadêmica no nosso estado. A ampliação da Plataforma WebLeia representa exatamente esse compromisso: apoiar estudantes, pesquisadores e professores com uma tecnologia voltada ao desenvolvimento da escrita acadêmica, estimulando a produção científica de qualidade e ampliando oportunidades dentro da universidade.

Com o novo aporte da FAPEPI, a expectativa é que a ferramenta amplie seu alcance dentro e fora dos muros da UESPI, consolidando-se como uma tecnologia social de livre acesso para a educação pública piauiense.