Projeto aprovado em chamada nacional dos INCTs receberá mais de R$ 4,1 milhões para pesquisas avançadas em câncer e formação de novos cientistas

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) participa do financiamento de um projeto considerado histórico para a ciência no estado: a criação do primeiro Instituto Nacional de Oncologia Translacional e Terapias Gênicas do Piauí. A iniciativa, sediada na Universidade Federal do Piauí (UFPI), receberá investimento total de R$ 4.178.355,90, resultado de uma chamada conjunta entre a Fapepi, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Do montante total, R$ 2.990.275,90 serão destinados pelo CNPq e R$ 1.188.080,00 pela Fapepi, destacando o papel da fundação estadual no fortalecimento da pesquisa científica no Piauí.

João Marcelo de Castro, professor da UFPI e coordenador do INCT ONCOTTGEN ao lado presidente da Fapepi, João Xavier. Foto: Maria Catiany.

A aprovação ocorreu no âmbito da Chamada Nacional dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e marca a criação do INCT de Oncologia Translacional, Inteligência Artificial e Terapias Gênicas (ONCOTTGEN), o primeiro instituto desse tipo voltado à oncologia no estado.

O novo centro será sediado no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFPI, em parceria com o Hospital Universitário da universidade (HU-UFPI), e terá como foco o desenvolvimento de pesquisas avançadas em terapias gênicas aplicadas ao tratamento do câncer, com atenção especial às demandas regionais.

Idealizado pelo professor João Marcelo de Castro e Sousa, coordenador de Pesquisa e Inovação da UFPI e do Laboratório de Pesquisa em Genética Toxicológica (LAPGENIC), o projeto reúne uma ampla rede de colaboração científica. Também participam da coordenação os pesquisadores da UFPI: Paulo Michel Ferreira, Dalton Dittz e Felipe Cavalcanti, especialistas na área de oncologia.

A iniciativa também inclui Instituições nacionais e internacionais que buscam consolidar uma rede de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para o câncer.

Apoio da Fapepi fortalece ciência no estado

A assinatura do Termo de Outorga entre o INCT e a Fapepi foi oficializada, dia 27 de março, durante visita de pesquisadores da UFPI à sede da fundação. A comitiva foi recebida pelo presidente da instituição, João Xavier, pelo assessor especial João Batista e pelo diretor técnico-científico Pedro Soares. Segundo Xavier, o investimento reforça o papel da fundação no incentivo à pesquisa de alto impacto no estado.

Foto: Maria Catiany.

“Estamos aqui neste momento na Fapepi acompanhados pelos professores e pesquisadores da UFPI que compõem o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia ONCOTTGEN, que trabalha com pesquisa avançada e importante não só para o Piauí, mas para o Brasil e para o exterior. É uma rede de instituições, e ficamos muito orgulhosos porque é coordenada por pesquisadores do Piauí. Serão investidos mais de R$ 4 milhões em uma parceria entre CNPq e Fapepi”, afirmou.

De acordo com o coordenador do projeto, João Marcelo de Castro, o instituto nasce com a missão de consolidar uma rede nacional e internacional dedicada ao avanço das terapias oncológicas.

João Marcelo de Castro, coordenador do INCT ONCOTTGEN. Foto: Maria Catiany.

“É um aporte financeiro muito importante para fazer estudos de oncologia em nosso estado. O INCT tem como principal objetivo consolidar uma rede nacional e internacional de pesquisadores. Temos mais de 20 instituições e mais de 65 pesquisadores nacionais e internacionais. A ideia é fazer o Piauí trabalhar com oncologia translacional e trazer nanomedicamentos, terapias genéticas e medicina de precisão”, explicou.

As pesquisas iniciais serão conduzidas em laboratórios de cultura celular do CCS, como o LAPGENIC, LAFAN, LABCANCER e LABBIOS, utilizando amostras biológicas provenientes de biópsias de câncer cerebral. Os pesquisadores pretendem aplicar técnicas avançadas de edição genética, como o sistema CRISPR, para desenvolver terapias personalizadas mais eficazes no combate à doença.

Formação de novos cientistas

Além da produção científica, o projeto prevê forte investimento na formação de recursos humanos. Estão previstas mais de 30 bolsas de formação científica, incluindo programas de iniciação científica, mestrado, doutorado, doutorado sanduíche e intercâmbios internacionais. A iniciativa também promoverá cursos de capacitação voltados a estudantes da UFPI e profissionais de saúde da região, ampliando a qualificação técnica no campo da oncologia.

Entre as instituições piauienses participantes estão a UFPI, o HU-UFPI, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), o Instituto Federal do Piauí (IFPI), a Fiocruz Piauí e o Hospital São Marcos, referência no tratamento oncológico no estado.

O projeto também reúne parceiros de outras regiões do país, como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Fiocruz Bahia, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), AC Camargo Cancêr Center, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Essa articulação entre instituições das regiões Norte, Nordeste e Sudeste deverá ampliar a produção científica colaborativa e acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias para o tratamento do câncer. Além da participação no novo instituto, 14 professores da UFPI também integram outros INCTs aprovados na chamada nacional, atuando em áreas como patologias moleculares, terapias avançadas, fotônica, sustentabilidade dos solos, igualdade social e doenças negligenciadas.