A Embrapa Meio-Norte realizou na sexta-feira, dia 11 de março, uma apresentação a técnicos e produtores os resultados parciais de experimentos do projeto “Geração de tecnologias para o cultivo sustentável da cajazeira” durante dia de campo, no sítio Tuturubá, no Povoado Fonte Boqueirão, zona rural de Teresina, PI.

O evento teve início às 8h e foi dividido em cinco seções. Na primeira, contou com apresentação do pesquisador Lúcio Flávio Vasconcelos com o tema “Controle do crescimento do cajá por restrição radicular”. Esse experimento consiste em manter as cajazeiras com porte baixo para facilitar tanto a colheita como os tratos culturais, como poda e tratos fitossanitários. Na segunda seção, sobre Indução floral, quem conduziu a apresentação foi o pesquisador Eugênio Celso Emérito Araújo. Essa pesquisa, por conta da grande variabilidade do tempo da floração das cajazeiras, o que torna as colheitas mais desuniformes, visa regularizar e uniformizar a produção do cajá, trazendo a possibilidade de antecipar ou retardar sua produção. Outro resultado importante deste projeto foi a comprovação de que o hormônio vegetal etileno tem uma atuação importante no mecanismo de floração do cajá, o que traz a possibilidade de manipular a floração da cajazeira com o uso do etileno.

O pesquisador Lúcio Flávio também apresentou as informações sobre clonagem de cajá, onde foi apresentado 3 tipos de clones desenvolvidos com melhoramento genético. Um deles foi chamado clone Teresina, próprio para consumo in natura. Esse fruto é maior e apresenta uma polpa mais farta que o comum, baixa acidez e maior doçura. Outro clone é o chamado cajá ZLU, também com maior doçura e baixa acidez. E o cajá ácido, que embora não seja muito adequado para consumo direto, apresenta um grande rendimento para a fabricação de sucos.

Na quarta seção, foram apresentados os resultados parciais da tecnologia do processo de Fertirrigação e técnicas de adubação, apresentado pelo pesquisador Valdemício Ferreira de Sousa. Os resultados apresentaram um grande aumento de produtividade do cajá, com um aumento de 300% de rendimento. O evento também contou com apresentação de trabalhos relacionados ao controle de pragas e doenças, especialmente no combate à mosca-das-frutas, com armadilhas de baixo custo.

Finalizando o evento, o pesquisador Carlos César Pereira Nogueira mostrou aos participantes o funcionamento do Sistema de colheita com telas. Um dos problemas na colheita do cajá é a queda do fruto do alto da planta, o que causa rachaduras, perda de polpa e risco de contaminação. Esse sistema de colheita adiciona uma tela embaixo da cajazeira para o fruto não cair no chão, não causando danos ao cajá.

Esse projeto, é oriundo de uma parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) e já apresenta resultados consistentes. O evento foi idealizado para mostrar as vantagens do sistema e estimular outros produtores a investirem na produção dessa fruteira nativa.

FAPEPI renova parceria e firma novo acordo de cooperação com a Embrapa Meio Norte

A Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí (FAPEPI) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária da região Meio-Norte (EMBRAPA-Meio Norte) assinaram, no segundo semestre de 2021, dois importantes convênios, uma nova parceria e uma renovação de cooperação iniciada em 2018.

O termo aditivo ao acordo de cooperação técnica referente a geração de tecnologias para o cultivo sustentável da cajazeira foi assinado no dia 25 de novembro de 2021, dando continuidade à parceria iniciada em 2018. O termo estabelece o incentivo à pesquisas e atividades que visem a criação de novas tecnologias para melhoria no cultivo do cajá no Piauí. O termo aditivo visa a prorrogação da cooperação por trinta meses, que
trata da integração de esforços entre as partes para execução de trabalhos de pesquisa
agropecuária, objetivando a geração de tecnologias para o cultivo sustentável da
cajazeira, bem como ajustes das formas do termo de cooperação.

O aditivo trouxe a inclusão de novos entes para a cooperação: O Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí (EMATER) e a Fazenda da Paz Comunidade Terapêutica do Piauí, instituição não-governamental.

O novo acordo de cooperação entre as instituições, intitulado “Transferência de tecnologias e inovação em fruticultura irrigada para os polos prioritários do Estado do Piauí” foi assinado em 21 de setembro de 2021, que dentre outros objetivos, visa ao compartilhamento de tecnologias e novos processos no manejo de fruticultura irrigada, com foco para os polos de produção prioritários do Piauí. O objetivo geral é adaptar e transferir tecnologias de cultivo, manejo, de produção e de agregação de valor às fruteiras tropicais para o desenvolvimento integrado sustentável com inovação no segmento da fruticultura em polos prioritários do Piauí.

“No âmbito desses polos é fundamental contextualizar que, o relacionamento, mesmo que diferenciado, dos agentes da cadeia produtiva ao lado de características específicas do conjunto de produtores e instituições de apoio são importantes para ajudar na compreensão do relativo sucesso que esses polos haverão de alcançar. Aspectos como o nível tecnológico predominante, o padrão de cooperação entre os produtores e entre estes e as instituições de apoio tecnológico etc., serão decisivos para a expansão do nível de produto e de renda na região, atuando de forma sinérgica sobre o marco da inovação tecnológica na cadeia produtiva da fruticultura irrigada no estado do Piauí”, afirmam os idealizadores do projeto.

Também são objetivos da parceria realizar um levantamento e sistematização do acervo de tecnologias já desenvolvidos para as espécies: acerola, banana, goiaba, maracujá, e uva, com possibilidades de ajuste/adaptação e utilização; a instalação de Unidades de Referência Tecnológica em campo com vistas a ajustes e adaptação de tecnologias no âmbito das espécies frutíferas: acerola, banana, goiaba, maracujá e uva; ajustar estratégias de transferência de tecnologia nos polos de fruticultura irrigada, visando o aumento da produtividade e da produção de frutas com qualidade para atendimento ao mercado consumidor nacional e regional; estruturar e instalar, junto com o setor produtivo, ações integradas de transferência de tecnologias e desenvolvimento com inovação na fruticultura, capazes de impactar positivamente o desenvolvimento regional e capacitar, simultaneamente, técnicos e agricultores multiplicadores nas principais tecnologias e estratégias para aplicação e utilização das ações integradas de transferência de tecnologias.