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Pesquisador de destaque na área de nanotecnologia e eletroquímica traça parceria com a UFPI
Dr. Frank Nelson Crespilho
O pesquisador Doutor do Instituto de Física de São Carlos – IFSC/USP, Frank Nelson Crespilho, visitou a Universidade Federal do Piauí, a convite do Departamento de Química, e realizou palestras no último mês de maio. Os temas abordados foram “Filmes Nanoestruturados: Desde a Síntese de Nanoestruturas aos Desafios e Aplicações” e “Recentes  Avanços em Eletroquímica de Sistemas Nanoestruturados Automontados”.  O evento foi destinado a alunos de graduação, pós-graduação de química e áreas afins. A vinda do pesquisador é patrocinada pelo projeto nacional “Instituto Multidisciplinar em Materiais Poliméricos” do CNPq, cuja coordenação local estava a cargo do Prof. Dr. Helder Nunes da Cunha, do Departamento de Física e diretor do Centro de Ciência da Natureza. ”O objetivo das palestras é despertar nos alunos a importância da nanotecnologia e das técnicas eletroquímicas no desenvolvimento de produtos e serviços”, diz o Prof. Dr. Welter Cantanhede, organizador das palestras.
Frank Crespilho tem uma grande experiência na área. Embora seja considerado pesquisador muito jovem (28 anos), Crespilho possui mais de vinte artigos publicados em revistas nacionais e internacionais com alto impacto científico; dois capítulos em livros; inventor de duas patentes e, também, pesquisador do projeto “Tecidos Inteligentes”, ligado à área têxtil.
Dentre os artigos científicos publicados, entre outubro de 2006 a março de 2007, apresenta novos horizontes em estudos de biomoléculas em eletroquímica e ocupa o quarto lugar no ranking dos TOP 25 Hot Papers na revista Eletrochemistry Communication entre os mais lidos. Crespilho também publicou outros artigos nessa conceituada revista de eletroquímica.
O trabalho do pesquisador estuda os fenômenos biomoleculares em sistemas nanoestruturados e lhe rendeu convites para realizar o pós-doutorado no exterior e para escrever em várias revistas científicas, na Europa e nos Estados Unidos. Apesar de receber propostas para ir para exterior, Crespilho garante que no momento fica no Brasil, onde tem seus trabalhos suportados financeiramente pela FAPESP.
Sua vida acadêmica sempre foi dedicada a novas descobertas, motivada pela parte da pesquisa na iniciação científica e tendo contato com várias áreas da química, física e engenharia de materiais. Em princípio, Crespilho desenvolveu métodos alternativos de descontaminação ambiental, utilizando a Eletroquímica, a partir de sensores para análise de inseticidas no meio-ambiente, em seguida partiu para desenvolver a eletroflotação, técnica que aplica uma corrente elétrica em duas placas metálicas, geralmente de alumínio ou ferro (eletrodo) para liberação de um agente coagulante. Com esta técnica seria possível remover a sujeira ou a contaminação ambiental do sistema aquático. Crespilho acrescenta: “trata-se de tratamento de efluentes e resíduos industriais, tratamento de esgoto urbano e industrial, e por meio desta técnica obtivemos excelentes resultados que nos rendeu uma patente junto a Universidade de São Paulo com o Instituto de Química de São Carlos, além da publicação de um livro”.
Para Crespilho, o livro “Eletroflotação: Princípios e Aplicações”, resultado da sua dissertação de mestrado, foi bastante estimulante porque, pela primeira vez, pode mostrar para o público que é possível desenvolver no Brasil pesquisas em tecnologias mais limpas e promissoras na área de descontaminação ambiental.
Já no doutorado, o pesquisador relata que teve a oportunidade de trabalhar com grandes cientistas e instituições, como o professor Dr. Francisco Carlos Nart, morto na queda do avião da Gol em setembro do ano passado; o grupo do conceituado físico Professor Dr. Oswaldo N. Oliveira Junior, do Instituto de Física de São Carlos e na Universidade de Coimbra, em Portugal, com o renomeado pesquisador Prof. Dr. Christopher M.A. Brett, atual presidente da International Society of Electrochemistry. Na ocasião, as pesquisas foram realizadas por meio de ferramentas eletroquímicas. O estudo remeteu ao comportamento de alguns sistemas biológicos, quando em contato com nanopartículas, área da ciência conhecida internacionalmente como bionanoeletroquímica. Por ser uma área muito recente na ciência do Brasil, isso o estimulou de forma que defendeu o doutorado em dois anos e meio e a partir disso, publicar cerca de dez trabalhos científicos internacionais em revistas de alto impacto.
Com o doutorado, Frank Crespilho busca uma nova patente na área de biosensores desenvolvendo um sistema de membranas eletroativas nanoestruturadas e tem como função acomodar algumas enzimas em superfícies sólidas, podendo, por exemplo, monitorar a quantidade de glucose e de uréia no organismo. Essas membranas acabam auxiliando os sensores na detecção dessas substâncias.
Mais recentemente, o pesquisador recebeu um prêmio da Metron Autolab como melhor trabalho em eletroquímica no Brasil e este foi apresentado em uma das edições do Simpósio Brasileiro de Eletroquímica. Além disso, participa de um projeto com a Santista Têxtil, uma das maiores empresas de tecido, desenvolvendo tecidos inteligentes, ou seja, sistemas nanoestruturados para tecidos bactericidas, auto-limpantes, dentre outras funções.
Quando o assunto é investimentos para pesquisa, Frank declara que no Brasil ainda se tem uma mentalidade de pouco investimento do setor industrial na área de pesquisa, quando comparado com outros países. “Até o presente momento não temos nenhuma evidência nacional de investimento em potencial no ramo industrial. O que vem acontecendo são alguns grupos isolados fazendo acordos com algumas indústrias, mas com financiamento partindo da iniciativa privada ainda muito baixo. Geralmente, há financiamento dos órgãos de fomento como o CNPq e FAP’s. O que acredito é que se nós não corrermos atrás desta tecnologia agora, vamos ficar atrás de países que já vem desenvolvendo.”, ressalta Crespilho.
De acordo com Crespilho, o professor Dr. Welter Cantanhede, da área da química inorgânica da UFPI, possui uma facilidade de interpretação de fenômenos em nanoescalas, devido a sua formação acadêmica, cujo doutorado foi realizado na área de química inorgânica. Desta forma, surgiu a possibilidade de serem feitas pesquisas no Piauí e criar um projeto em parceria com o laboratório de São Carlos. Tendo em vista isso, o professor Welter aceitou o desafio para marcar uma nova linha de pesquisa na UFPI. “Começamos a fazer alguns experimentos na UFPI para estudar fenômenos com moléculas que têm comportamentos diferenciados quando organizados e interpretados em escalas nanométricas. Para nossa surpresa, esta experiência, pela primeira vez relatada na literatura internacional, levou-nos a descobrir que é possível explorar diferentes propriedades de uma mesma molécula, sendo essas propriedades dependentes do ambiente nanoestruturado em que a molécula se encontra.”.
Destas pesquisas resultou um trabalho que está sendo publicado em uma revista de alto conceito internacional. A parte experimental e de conceitos das idéias envolvidas neste trabalho foram desenvolvidas aqui no Piauí. Além disso, este trabalho recebeu um prêmio, por um aluno de iniciação científica orientado pelo professor Dr. Welter Cantanhede. Crespilho declara: “unimos conhecimento e geralmente quem ousa mais terá mais resultados positivos. Esse é o principal objetivo quando se trabalha em grandes redes de pesquisa, um conceito científico que é atualmente adotado pelos maiores cientistas do mundo. No caso do professor Welter, sem sombra de dúvidas, hoje e aqui no nordeste, ele é um dos mais promissores pesquisadores que conheço para essa área e ainda tem muito a contribuir”.
As principais contribuições desta pesquisa seriam na aplicação de alguma área de nanotecnologia que venha contribuir com o ecossistema para armazenamento e conversão de energia. Evitando, assim, usinas hidrelétricas e outros impactos ao meio ambiente. Cita-se como exemplo, o clima favorável do estado do Piauí para conversão de energia solar em elétrica. Ao mesmo tempo, estaria gerando energia limpa e evitando outros meios de produção de energia que possam agredir o meio ambiente. Outro ponto interessante é monitoramento ambiental, através de sensores em rios e lagos para a detectação de um contaminante e para a própria preservação ambiental.
Frank ressalta que “para isso vamos precisar de um trabalho muito grande em equipe, numa multidisciplinariedade, porque são projetos que já estão engatilhados, sendo necessário um financiamento realmente considerável e uma maior participação do governo no investimento de infra-estrutura porque são trabalhos com resultados promissores”.


*Prof. Dr. Frank Nelson Crespilho
Doutor em Físico-Química do Instituto de Física de São Carlos - IFSC/USP
fcrespilho@yahoo.com.br