18 Outubro, 2019 14:57

Fapepi ampara sistema de produção de alimentos com energia solar

As fontes de energia não-renováveis como carvão e petróleo ainda estão entre as mais utilizadas no mundo para abastecimento humano. Com a consciência da finitude desses recursos e dos impactos ambientais que os mesmos geram, tem se percebido a necessidade de investir em fontes de energia que ofereçam a possibilidades de abastecimento no futuro, assim como a preservação do planeta. Entre as fontes com maior potencial de investimento para geração de energia elétrica, contamos com os raios do Sol, que podem ser convertidos através da captação de painéis fotovoltaicos, gerando energia limpa e renovável.

Essa energia pode ser utilizada nas mais variadas atividades e encontra no Piauí um imenso potencial de uso; torna-se necessário então, que sejam realizadas pesquisas sobre essas alternativas de produção de energia. Com esse pensamento, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) lançou o Edital Nº 15/2017, que convocou pesquisadores do estado para apresentarem propostas de pesquisa em energias renováveis.

Entre as iniciativas selecionadas, está o projeto de energia solar e piscicultura, do professor Felinto Firmeza, do IFPI de Parnaíba. A captação de energia funciona através do Sistema Integrado para Produção de Alimentos (Sisteminha Embrapa), modelo agrícola sustentável, criado em 2002 pelo pesquisador Luiz Carlos Guilherme quando fazia doutorado em zootecnia na Universidade Federal de Uberlândia. O sistema foi aprimorado posteriormente pela Embrapa Meio-Norte na Unidade de Execução de Pesquisa no município de Parnaíba.

O Sisteminha consiste em um tanque de piscicultura, construído artesanalmente, galinheiro, minhocário, hidroponia, abrigo para compostagem, além de uma horta periférica. O tanque de piscicultura tem capacidade para 5000 litros, e funciona com um sistema de recirculação de água. O elemento central é um tanque de criação de peixes, construído artesanalmente e que conta com o reflexo de cada comunidade que o implanta. Por exemplo, pode ser feito de placas de concreto ou papelão na cidade, esteiras de palha ou barro em aldeias indígenas no Maranhão e em assentamentos rurais no Piauí. Pelo projeto piloto, a capacidade de produção é de 25 quilos de tilápia em 3 ciclos por ano.

O projeto desenvolvido com apoio da Fapepi tem o objetivo de alimentar com energia solar as bombas do tanque de piscicultura que anteriormente eram alimentadas exclusivamente com a energia elétrica convencional fornecida pela concessionária de energia local.

“Os investimentos em equipamentos apropriados para o uso da energia fotovoltaica podem ser estimulados para locais de difícil acesso como em alguns quilombos e aldeias indígenas, assim como em famílias de baixa renda. Na área periurbana e rural, os beneficiários do Sisteminha podem ser prejudicados com aumento na frequência das paralisações no fornecimento de energia, pelas prestadoras deste serviço. O maior diferencial deste projeto é a contribuição da energia solar fotovoltaica, na promoção da integração das famílias de baixa renda, beneficiárias do Sisteminha, ao processo de desenvolvimento local, com aumento da renda e segurança alimentar estabelecida”, conta o professor Felinto.

O tanque pode alimentar uma família com uma porção do pescado produzido semanalmente além de proporcionar a produção de uma ampla variedade de vegetais que são irrigados com seus efluentes e resíduos sólidos gerados. Esses e outros resíduos orgânicos também são destinados à criação de minhocas, onde ocorre a transformação do material em húmus, que retorna ao cultivo dos vegetais.

Os peixes podem pesar de 150 a 200 gramas ao final de cada ciclo. Todo o sistema reutiliza a água do tanque de piscicultura, o que reduz os custos de produção e aumenta a oferta de alimentos. O sistema é montado em lotes de 100 a 1000 metros quadrados, na periferia das cidades ou zonas rurais.

Atualmente o projeto encontra-se em fase de teste e levantamento de dados. Foram montados dois tanques no IFPI de Parnaíba. O primeiro está sendo alimentado exclusivamente pela concessionária de energia local e no segundo foi adicionada a energia solar fotovoltaica que energizará as bombas durante o período de sol. Em ambos os tanques foi adicionado um medidor de energia elétrica, em kW/h.

Após a conclusão dos testes será realizado um estudo de viabilidade econômica no intuito de quantificar a redução de custo com energia elétrica mensalmente e em quanto tempo o investimento com o módulo solar passa a ser economicamente viável.