Estudo destaca diversidade de estruturas de flores no Piauí

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O conjunto da fauna e da flora do Piauí é considerado muito diverso devido à localização do estado, que é influenciado pelos domínios florísticos do bioma amazônico, do cerrado e da caatinga. Aqui se destacam a caatinga e o cerrado do Nordeste, além de muitas regiões de transição. Essa diversidade resulta em uma paisagem composta por mosaicos de tipos vegetacionais e grande riqueza florística. Esta variedade implica em um grande potencial para pesquisas e desenvolvimento científico e tecnológico.

Dentre as diversas famílias de plantas que ocorrem no Piauí, a Leguminosae é a mais predominante em estudos. Trata-se de uma família de plantas com flor, com grande distribuição mundial, que inclui as espécies vulgarmente conhecidas por leguminosas, entre as quais predominam algumas das plantas cultivadas com maior importância econômica no mundo. Além disso, a maioria das espécies nativas utilizadas pela população piauiense para fins medicinais são leguminosas. Exemplos são a fava-d’anta, o sabiá, e o amargoso.

A flora do Piauí representa uma oportunidade promissora para o estudo das estruturas das espécies de leguminosas, principalmente se considerarmos que muitos autores concordam acerca da falta de conhecimento sobre a flora do nordeste, especialmente do Piauí. Nesse contexto, está em andamento o trabalho de pesquisa intitulado “Diversidade de estruturas secretoras florais em espécies de Leguminosae do Piauí”, que é coordenado pela professora Dra. Thais Cury de Barros, docente do departamento de Biologia na Universidade Federal do Piauí. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí (FAPEPI) através do Edital Programa de Infra-Estrutura para Jovens Pesquisadores – Programa Primeiros Projetos (PPP), em parceria com o CNPq.

A equipe desse projeto é multidisciplinar, sendo composta pela professora Simone de Pádua Teixeira, anatomista da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto, professora Maria Gardênia Sousa Batista, taxonomista da Universidade Federal do Piauí, professor Leonardo Maurici Borges, taxonomista da família leguminosae na Universidade Federal de São Carlos, professora Juliana Villela Paulino, anatomista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de alunos de graduação.

Em entrevista, a pesquisadora responsável pelo projeto relata que neste trabalho a equipe procura investigar a ocorrência de glândulas ou estruturas secretoras florais, buscando essas estruturas nas flores em espécies de leguminosas do Piauí. Assim, o primeiro passo foi selecionar 20 espécies que representam vários grupos da família Leguminosae e coletar as espécies no campo. O principal ponto de coleta foi o Parque Nacional de Sete Cidades.

As flores das plantas coletadas são então colocadas em frascos com uma solução chamada fixador, que preserva o material para estudos anatômicos futuros. No laboratório, essas amostras são processadas para a confecção de lâminas histológicas, que são lâminas com amostras de tecidos que podem ser estudadas no microscópio. As lâminas são então coradas, estudadas e interpretadas e, como resultado, é feita a caracterização anatômica de uma determinada espécie com suas respectivas estruturas secretoras. A partir desses resultados, obtidos na forma de imagens feitas no computador, se inicia então a parte interpretativa. O estudo dessa parte das plantas é essencial para diversas finalidades.

As estruturas secretoras ou as glândulas são muito importantes para a indústria farmacêutica e cosmética, já que é a partir destas estruturas que é produzida a maior parte dos princípios ativos que são utilizados em medicamentos fitoterápicos e cosméticos. O óleo essencial do alecrim, borracha da seringueira ou nas fragrâncias florais que estão contidas na perfumaria, por exemplo, são produzidas nestas pequenas estruturas das plantas.

As estruturas secretoras são muito diversas nas plantas, desde o formato até a natureza química do composto que é produzido. Por isso, o primeiro passo para que se possa entender essa diversidade, é obter a localização e a caracterização dessas estruturas na planta. “Nós sabemos que a flora do Piauí é muito rica e apresenta muitos tipos de formações vegetais e por isso é esperado que exista uma grande diversidade dessas estruturas nas plantas”, relatou a coordenadora do projeto.

A pesquisa sobre a temática apresenta desafios, como coloca a professora. “Assim, como toda área de pesquisa existem dificuldades, no escopo deste trabalho, o primeiro desafio é localizar e reconhecer as espécies de interesse no campo com ajuda de especialistas. Vale ressaltar que encontrar as espécies no seu período de floração é difícil, as plantas geralmente não estão floridas o tempo inteiro e encontrar a flor de  todas essas espécies não é fácil. No laboratório há também dificuldades que são parte do protocolo padrão, mas como as plantas possuem tecidos diferentes com texturas diferentes, os protocolos às vezes precisam ser adaptados para cada espécie. Então, os tempos de inclusão dos materiais varia para cada espécie, isso também faz com que esse trabalho seja vagaroso no laboratório. Não são resultados que são obtidos em poucos dias. São resultados que são obtidos durante meses”, relatou Thaís Cury.

A professora Thaís relata que a flora do Piauí é muito rica, porém, ainda pouco explorada a níveis mais profundos. “Então, essa pesquisa busca encontrar resultados inéditos sobre estruturas secretoras que ainda não estão descritas na literatura para essa família de plantas, e isso vai nos ajudar a compreender melhor as estratégias adaptativas dessas plantas em relação ao ambiente no Piauí”, conta a professora.

A diversidade dessas estruturas também irá ajudar a compreender melhor a relação entre os grupos de plantas e também sobre a evolução dessas próprias estruturas secretoras nas mesmas. Os resultados obtidos nessa pesquisa também irão servir como subsídio para futuros trabalhos sobre plantas medicinais. “Esse é o primeiro passo para nós localizarmos possíveis plantas que possam ter um interesse farmacêutico ou cosmético entre a diversa flora do Piauí ”, finaliza.

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Pesquisa destaca resistência bacteriana à amoxicilina na cavidade bucal em crianças

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Está em andamento o trabalho de pesquisa coordenado pelo professor, Dr. Prof. Patrick Veras Quelemes, Mestre em Farmacologia e Doutor em Biotecnologia na Universidade Federal do Piauí, intitulado “Prevalência e Caracterização de Bactérias Resistentes à Amoxicilina na Cavidade Bucal de Crianças com Risco de Endocardite Infecciosa e Fatores Associados”. O projeto é contemplado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí – FAPEPI através do Edital Programa De Infra-Estrutura Para Jovens Pesquisadores / Programa Primeiros Projetos (PPP) – / MCT/ CNPq Nº 007/2018.

A endocardite infecciosa (EI) é uma condição grave que pode afetar adultos e crianças portadores de determinadas cardiopatias que é um termo genérico utilizado pelos médicos para designar doenças e condições médicas capazes de afetar o coração e o sistema vascular de pacientes em qualquer idade, entre os principais tipos de cardiopatia podemos incluir hipertensão (pressão alta), doença arterial coronariana, arritmia cardíaca e também condições mais graves como parada cardíaca ou mesmo derrame cerebral.

O risco de  infecção do endocárdio representa um desafio na prática odontológica, já que essa condição pode ser causada pela bacteremia transitória, principalmente por estreptococos, proveniente da realização de procedimentos críticos como exodontias, raspagens e tratamentos endodônticos em pacientes susceptíveis, geralmente, portadores de cardiopatias. Para evitar esse quadro, é indicada a realização de profilaxia antibiótica previamente aos procedimentos citados, cujo medicamento padrão é a amoxicilina. No entanto, devido ao uso excessivo e/ou indiscriminado dessa droga, bactérias resistentes têm sido detectadas na cavidade bucal fazendo com que, mesmo sendo administrada a profilaxia antibiótica, pacientes continuem com risco de desenvolver a EI, especialmente crianças. O objetivo deste projeto é, portanto, estabelecer a prevalência de bactérias resistentes à amoxicilina na cavidade bucal de crianças com risco de EI, além de verificar fatores relacionados.

“Esse problema ele pode atingir tanto adultos como crianças, sendo que atualmente é considerado que além da manutenção de uma boa saúde bucal, o único método de prevenção da endocardite infecciosa é a profilaxia antibiótica, que é a tomada de antibiótico previamente, 01h00 antes, ao procedimento odontológico que essa criança ou esse adulto passa a submeter. Essa antibioticoterapia é realizada com antibiótico chamado Amoxicilina.” conta o coordenador do projeto.

Dr. Prof. Patrick Veras. Foto: Reprodução

Apesar de a resistência antibiótica ser um tema de relevância global, até o momento, não existem dados publicados sobre a prevalência de estreptococos resistentes ao antibiótico citado em crianças brasileiras. Neste contexto, no estado do Piauí, segundo dados colhidos junto ao Hospital Infantil Lucídio Portella, o número de crianças portadoras de cardiopatias que são susceptíveis à EI é relevante. Assim, sensibilizados por esta problemática e tendo constatado a escassez de dados sobre o tema, propomos este projeto, cujo objetivo principal é determinar a prevalência de bactérias resistentes à amoxicilina na cavidade bucal de crianças portadoras de cardiopatias, que formam um grupo com risco de acometimento da endocardite infecciosa.

Além disso, o desenvolvimento deste projeto possui concreta possibilidade de fomentar a recente criação do primeiro grupo de pesquisa voltado à vigilância de micro-organismos resistentes na cavidade bucal de crianças, adultos e idosos no estado do Piauí, o que colabora, de sobremodo, para a criação de estratégias a serem traçadas no âmbito da saúde pública, com intuito de manejar-se tal situação, com vistas à diminuição de agravos, bem como para desenvolvimento científico relacionado a essa casuística no estado do Piauí.

“Os nossos resultados encontrados até o momento são bastante preocupantes, visto que, por exemplo, se nós avaliarmos 15 crianças em 14, nós iremos encontrar estreptococos resistentes à amoxicilina em sua boca. Nós temos a previsão de concluir nosso projeto até dezembro. Queremos fazer, claro, uma publicação científica, mas independente disso, o impacto dos nossos resultados ele deve vir a conscientizar a classe odontológica de que se deve ter uma preocupação com essa questão da resistência bacteriana nesses pacientes, inclusive com a geração de políticas públicas, que posso assisti-los de uma forma melhor”, finaliza. 

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Pesquisa amparada pela FAPEPI estuda processo de ocupação e lazer no bairro Dirceu Arcoverde

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Está em andamento o trabalho historiográfico coordenado pelo professor Marcelo de Sousa Neto, docente do curso de história da instituição, intitulado “A periferia em festa – as festas em bairros populares de Teresina (1977-1985)”. O projeto é contemplado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí – FAPEPI através do Edital Bolsa de Produtividade em Pesquisa – PQ FAPEPI/PROP- UESPI Nº 11/2021, com o objetivo de estimular a produção científica, tecnológica e de inovação de  pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

O processo de ocupação das periferias de Teresina e as formas de habitar a cidade e o festejar de seus moradores, privilegiando seu cotidiano e suas maneiras de lazer é o foco do estudo. “Inseridos em meio a uma política habitacional limitada e segregadora, os moradores dessas regiões assumiram o protagonismo do processo de reorganização dos espaços urbanos da capital, constituindo-se em personagens privilegiados de análise, em que suas táticas do fraco funcionaram de forma efetiva ao atribuir à cidade um significado e cotidianos próprios construídos em meio à luta pelo direito à moradia”, destaca o projeto. 

Para a efetivação da pesquisa definiu-se, além do estudo de conteúdo das fontes hemerográficas e documentais, a metodologia da História Oral, com uso de pesquisa com trajetórias de vida e entrevistas temáticas, como o instrumental de acesso às informações sobre o período.

No projeto, o pesquisador destaca como espaço a ser investigado o bairro Itararé e seu entorno, por sua relevância social e econômica para a capital e para o estado, em um recorte temporal compreendido entre 1977 e 1985, identificados pelas fontes consultadas como o período de formação do conjunto e no qual seus moradores mais dificuldades enfrentaram, o que ajudou a demarcar sua importância social e política para a história recente da cidade, sobretudo em razão das diferentes maneiras encontradas para promover suas comemorações coletivas, contribuindo para compressão sobre as diferentes formas de sociabilidades urbanas no período.

“Desde 2009 vem se desenvolvendo pesquisas sobre a formação e organização espacial do processo de ocupação da região que é hoje conhecida como o grande Dirceu”, contou o coordenador do projeto.

“Em 2014 realizamos um pós-doutoramento que tinha como objetivo de análise a região do grande Dirceu, e que com o desbravamento posteriores nós, com autoria com a professora Cláudia Cristiana da Silva Fontineles, da UFPI, publicamos um livro intitulado Nasce um Bairro Renasce uma Esperança – história e memória de moradores do Conjunto Habitacional Dirceu Arcoverde, esse livro, ressalto que recebeu o apoio da FAPEPI para sua publicação por meio do edital de auxílio à publicação’’, completa. 

Livro amparado pela FAPEPI entatiza a memória dos moradores. (FOTO: Jessé Pereira)

A pesquisa centrou investigação nas festas com rememorações de alguns dos moradores do bairro, três em especial: os festejos da paróquia de São Francisco de Assis, os bailes de reggae da Halley Danceteria e os forrós do Clube do Chico Alves, festas que exemplificam as limitadas oportunidades de sociabilidade desses primeiros moradores e que marcaram a memória e a forma de significar o espaço desses.

A proposta apresentada pelo pesquisador enfatiza que a partir das informações já disponíveis na literatura sobre o tema das ocupações populares em cidades brasileiras, se espera localizar elementos que discutam as formas de lazer e festejar de suas populações, de forma a traçar um ponto de aproximação entre estas e, posteriormente, a partir da pesquisa empírica em documentos e fontes hemerográficas, compará-las em relação ao observado nas periferias da cidade de Teresina.

“As pesquisas sobre o Dirceu Arcoverde continuaram e nós identificamos que um ponto muito importante da história de toda a região refere-se às afetividades, sociabilidade construídas e as formas que aquela população encontrava para enfrentar a dureza do dia a dia por meio do seu cotidiano e as festas populares sobretudo ligada aos forrós, bingos dançantes, serestas, quermesses movidas pela igreja católica São Francisco de Assis, que representavam esse ponto de descompressão da dureza do dia a dia. Nós elaboramos uma proposta de pesquisa que versa exatamente investigar como é que se dava esse processo de sociabilidade, como era que essas festas ocorriam, como elas eram significadas, como elas eram importantes para o cotidiano daqueles moradores, e tivemos a felicidade de sermos apoiados pelo edital de bolsas de produtividades da FAPEPI e hoje estamos realizando a pesquisa a partir de um levantamento bibliográfico daquilo que já existe, estabelecido não só sobre a região do Grande Dirceu mas sobre o tema festas populares de uma maneira mais ampla. O nosso desejo é que ao final da nossa proposta a gente possa entender um pouco melhor e divulgar e publicar os resultados da nossa pesquisa”, finaliza o professor.

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FAPEPI apoia pesquisa para motivação do tratamento da hipertensão arterial

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A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de risco modificáveis para as doenças cardiovasculares com elevados custos de saúde e socioeconômicos. De acordo com o professor José Wictor Pereira Borges, responsável pelo projeto de pesquisa – Construção de banco de itens sobre motivação ao tratamento da hipertensão arterial – a baixa adesão ao tratamento é um dos principais fatores que dificultam o efetivo controle da pressão arterial. Cerca de 40% a 60% dos pacientes não fazem uso da medicação anti-hipertensiva prescrita, havendo um aumento dessa porcentagem nos países de renda baixa e em desenvolvimento.

Essa pesquisa é um recorte do projeto de “Instrumento de motivação ao tratamento da hipertensão arterial: desenvolvimento e validação”. Ele se caracteriza como estudo metodológico ancorado na Psicometria que segue três grandes pólos: teórico, empírico e analítico. E está sendo executada através do Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), o projeto de pesquisa foi contemplado no Edital 002/2021. A equipe de pesquisa, é coordenada pelo professor José Wictor Pereira Borges, e conta com a pesquisadora assistente Haylla Simone Almeida Pacheco, os bolsistas Rebeca dos Santos Miranda de Oliveira e Leonardo da Conceição Pereira.

O panorama de altos índices de morbimortalidade e a baixa adesão ao tratamento no cenário tem alavancando reflexões de enfermeiros sobre o desenvolvimento e a utilização de estratégias de cuidado, prevenção, promoção da saúde e monitoramento. O pesquisador destaca que a adesão ao tratamento requer do indivíduo decisões compartilhadas e corresponsabilização com a família, profissionais e serviço de saúde, além da rede social de apoio. Desse modo, é necessário que haja motivação para essas tomadas de decisões.

“É um projeto de longo tempo, o método é composto por 7 etapas. A primeira foi desenvolvida com uma aluna do mestrado em saúde e comunidade. A segunda fase foi desenvolvida no primeiro ano de bolsa PBIC FAPEPI. A terceira estamos iniciando agora com a prorrogação da bolsa. A expectativa é que algum desses bolsistas de IC entre no mestrado para fazer as outras etapas como dissertação.” destaca o coordenador do projeto.  

O projeto se reveste de originalidade ao propor outra ótica para trabalhar com a adesão ao tratamento da HAS. Ao observar o contexto da adesão pela ótica da motivação ao tratamento, novos elementos de cuidado se apresentam a partir de um viés da psicologia positiva, e mostra outros caminhos que possam ser trilhados no cuidado às pessoas com HAS. Esse estudo ganha força com a aplicação da teoria da autodeterminação que permite compreender os reguladores de comportamento envolvidos na decisão de seguir ou não o tratamento. 

Ao final do projeto de bolsas, um banco de itens com qualidades conceituais e teóricas deve ser um instrumento de avaliação da motivação ao tratamento da HAS. O instrumento desenvolvido ao final do projeto será uma tecnologia avaliativa revestida de validação que poderá ser utilizada pelos enfermeiros no acompanhamento dessas pessoas. Os indicadores poderão direcionar o delineamento de ações de cuidado mais efetivas impactando na melhora da adesão terapêutica. O estudo servirá de referência para outros pesquisadores, nacionais e internacionais, por ser pioneiro na área e instrumento avaliativo mensurador da motivação ao tratamento da HAS. Essa pesquisa traz reconhecimento a uma tecnologia desenvolvida no Piauí.

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Pesquisa busca bebida sabor café obtida da amêndoa da carnaúba

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O Brasil é um país com destaque mundial devido a sua biodiversidade, que representa um potencial imensurável, porém o seu conhecimento ainda é restrito, negligenciado e não explorado de forma correta, gerando uma perda do que poderia ser aproveitado economicamente na flora nativa. Nesse contexto, destaca-se a espécie Copernicia prunifere, conhecida popularmente como carnaúba. 

A carnaubeira é uma palmeira típica do Nordeste brasileiro e uma importante fonte de renda através do extrativismo vegetal. No Piauí, estado que carrega a árvore como seu símbolo através do Decreto nº 17.378, de 25 de setembro de 2017, o foco da sua utilização é basicamente na produção da cera, apesar de ser uma planta que se pode aproveitar tudo. Seus frutos podem ser estimulados para o consumo dos indivíduos e alguns estudos analisaram que eles possuem importantes substâncias microminerais, macrominerais e substâncias bioativas. Mas geralmente são destinados para a alimentação de animais, sendo o uso na alimentação humana ainda muito baixo, restringido à extração do óleo ou na torrefação da amêndoa para extrair o pó e desenvolver mingaus. Em algumas localidades o pó substituiu o café.

Em execução através do Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), o projeto “Bebida sabor café obtida da amêndoa da carnaúba (Copernicia prunifera): características físico-químicas, tecnológicas e nutricionais”,  contemplado no Edital 002/2021, ressalta que a utilização do fruto da carnaubeira para a elaboração de um novo produto será mais uma alternativa, das muitas possibilidades que essa palmeira já oferece para aqueles que sobrevivem através dela.

De acordo com o Projeto muitas empresas têm consciência das tendências de consumo, dessa forma buscam novos ingredientes para acrescentar aos produtos já existentes e aos que poderão ser desenvolvidos. A pesquisa destaca que uma  técnica viável é a elaboração de uma bebida sabor café a partir da torrefação e moagem da amêndoa do fruto, podendo utilizar-se o método convencional, que já é aplicado no café arábico, agregando valor ao produto e minimizando suas perdas. 

“Por se tratar de um fruto regional e que não tem muita utilização para a alimentação humana e sim mais na alimentação animal, conseguir desenvolver um produto através desse fruto seria algo que iria trazer novos postos de trabalho para a população que depende disso”, contou Ruthe bolsista do projeto.

A pesquisa avalia a composição físico-química, nutricional, os compostos bioativos, a atividade citotóxica da amêndoa da carnaúba em comparação ao café tradicional. A equipe de pesquisa, coordenada pela professora Stella Regina Arcanjo Medeiros em conjunto com as bolsistas Shelda e Ruthe e o aluno mestrando do PPPGAN/UFPI Fhanuel Andrade, está localizada no Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, da Universidade Federal do Piauí, UFPI de Picos.

Não é à toa que ela é conhecida como a “árvore da vida”. Mediante a pesquisa bibliográfica sobre essa espécie nota-se que o fruto, apesar de ter compostos essenciais para o dia a dia da alimentação humana é, muitas vezes, desperdiçado. Frente a esse estudo e à agregação de valores ao fruto, são analisadas maiores evidências ao seu potencial tecnológico, agregando valor econômico.

O pó da amêndoa da carnaúba mostrou-se rico em minerais, apresentando valores maiores que a ingestão diária recomendada. Com a análise da composição centesimal realizada, foi possível detectar que esse pó é rico em carboidratos e lipídios, podendo ser um futuro alimento. Acredita-se que esses lipídios possam ter influências positivas no que diz respeito a nutrição, entretanto, ainda estamos em fase de análise de ácidos graxos. O produto também caracteriza-se como um alimento pouco perecível, com um elevado teor de acidez. A pesquisa ainda deve passar por análises toxicológicas mais precisas para assegurar o consumo da bebida. Futuramente, pretende-se desenvolver um sorvete a partir deste pó da carnaúba. Além disso, é importante que sejam feitos estudos do consumo deste pó em seres humanos, para que haja uma aplicabilidade tecnológica.

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